Sempre me perguntei até onde vai o meu idealismo. Nunca me dei uma resposta exata. Até mesmo porque não tenho. Mas o que sei é que o meu idealismo deveria ter o sentido de mudanças, de trazer algo novo a esta realidade nojenta em que as pessoas só pensam em se prevalecer das fraquezas alheias e das oportunidades criadas. Questionei-me também o por quê há tantas pessoas nas ruas vagueando sem rumo ou direção? Todos os dias passo pelo mesmo caminho e sigo a mesma rota. Eu tenho um alvo, um objetivo (...) tenho algo a alcançar. Pelo menos eu acho. Às vezes me questiono se é real, mas logo passa. Na verdade, vejo pessoas indo e vindo por todas as partes. Algumas até aparentam ter algo definido...um rumo a seguir. Mas outras demonstram nitidamente que estão procurando algo que nem ao menos sabem o que é. Vejo todas as noites um jovem senhor, pouco mais de 40 anos, sentado ou deitado na parada de ônibus. Isso sempre me incomodou. Certo dia parei e até dei um cachorro quente para que ele comesse. Acho que passou a fome. Voltei outra vez, depois de muito tempo, e dei um agasalho para as noites de frio naquele banco solitário. Apesar de passar muita gente ali, ele sempre está só. Ah! Mas não fui sozinho. Estava com meus pais. Mas foi só isso que fiz. Nada mais! Aquele jovem senhor continua só. Até oro por ele algumas vezes que eu lembro. Mas a fé sem ação é morta, vazia e sem eficácia. Não se pode ter amor à distância, sem cuidado, sem respeito (...) Até permanece a fé, a esperança e o amor, mas o maior deles é o AMOR. Apenas estive refletindo sobre isso. Mas só refleti! Percebo que sempre buscamos mudar a vida alheia, mas não pelo amor ao próximo. O amor que buscamos é o nosso. Trata-se de bem estar (O nosso bem estar). Não queremos sujeira, bagunça ... "Pagamos impostos para quê? Falar (fazer) o amor de Deus? Certo! Trata-se de quanto? Qual o meu salário, comunidade? Quer dizer: o quanto Deus tem falado aos seus corações para garantir meu salário de ministro do evangelho? Ah! Se não tenho ministério não vejo o porquê me sacrificar pelo busca do amor ao próximo. Você não votou em mim? não represento você. Ah! Vagabundo tem que sofrer. Não basta a ajuda do governo ainda temos que ajudar". Blá! blá! blá! ... As mazelas continuam. É culpa de quem? Talvez este pensamento não trate de altruísmo, amor ao próximo ou coisa do tipo. Pensamos em nossas vidas. É uma hipocrisia sem precedentes. Até onde vai o teu (o meu) idealismo? Por que queremos mudar o mundo? É pelo bem estar alheio ou o nosso próprio bem estar? Não tenho nada a ver com isso. De quem é a culpa? Não se trata do jovem senhor sentado/deitado no banco do ônibus das noites frias e madrugadas solitárias. Rotina...trabalho...dinheiro...família... E os outros? Que se lasquem! Isso sufoca! Calem a boca seus vermes! Sumam! Dinheiro não me basta. Quero mais! E eles? Só bosta! Não basta o que o governo faz. Cadê Deus? Muitas igrejas ... muitos cristãos ... muitos políticos ... muitas pessoas de bom coração ... Não basta para essa bosta. Não há mudanças. Aquele jovem senhor vai morrer para dar lugar para o novo morador. E ainda vem com aquela história toda da teoria crítica, revolução e muita paz no coração.
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