PARTE II - O Insight em: "Peido meu, cheiro seu".


.

... olhei de repente em uma visão tridimensional e percebi também que todos ali contemplavam a presença daquele senhor sem graça, sem raça, sem cor... Ele talvez si considera-se importante, mas para mim não era. O fato é que em nenhum instante, no tempo em que permanecemos naquele local, "o senhor de alta classe" tivera um instante para si. Os bajuladores, puxa-sacos, cheiradores de peido não arredavam de perto. A vida privada daquele senhor desceu pelo ralo na mesma privada que perdeu sua privacidade. O pior é que ele mesmo deveria saber que os seus odores já não mais o pertencia. Agora o cheiro ficava por conta daqueles que deixaram suas vidas e privaram-se de si mesmos para adentrar na privada alheia...ops! Quero dizer, na privacidade alheia... alheia àquele senhor...alheia a todos. As pessoas passaram a entregar-se a si mesmas. Dai então percebi que meu insight não se tratava de uma nova ideia, mas de compreender a natureza daquele cargo e a insignificância das pessoas frente ao poder. Para aqueles senhores, assumir o mais alto patamar significava, acima de tudo, que a lógica individualista do sistema era complementada pela socialização das privacidades. Não se importavam com suas vidas porque já a tinham perdido em troca das migalhas das farras e dos prazeres da "alta classe". Naquelas alturas não se reivindicava mais o seu canto para si mesmo, já que no fim das contas o que prevalece mesmo é o objetivo principal do cargo ou do poder de quem o assume. Assim, se queres realmente sobreviver que seja pela relação "natural" da nobreza que estabelece o "peido meu, cheiro seu".

Com que frequência você costuma ler um texto com mais de 15 linhas sem interrupção?